Como a aceitação no seu processo de mudança pode te trazer paz e felicidade?

Aceitação não é um conceito fácil de falar. Eu mesma tinha um certo preconceito com essa palavra pois me remetia a algo parecido com “desculpa para não fazer”; “comodismo” ou mesmo “desistência”. Aceitação é estar em paz com o que é ou com o que passou.

Existe uma diferença de energia muito grande quando alguém está simplesmente “jogando a toalha” ou quando alguém pode conviver com o que é ou o que já passou em paz.


Após ler alguns livros e principalmente experimentar na prática, hoje entendo o que os “gurus” querem nos dizer quando falam que aceitação é uma das bases para construirmos a nossa felicidade. Aceitação está diretamente ligada ao seu nível de consciência e de claramente ver o que é no memento, de não julgamento, simplesmente reconhecendo uma situação, pessoa, você, o que seja, como é.

Independentemente de quão linda a nossa vida é, invariavelmente, todos nós um dia enfrentamos algum tipo de frustração, rejeição, perda ou dor e com isto todos nós um dia temos sentimentos de medo, tristeza, culpa, raiva e por aí vai. A maioria de nós não lida bem com a dor, e na grande maioria das vezes, reagimos de forma não construtiva. Os nossos pensamentos podem nos levar a ter sentimentos bem desagradáveis e que não nos ajudam a ir adiante. Ao contrário, quanto mais pensamos em uma situação que não estamos de acordo, mais emoções negativas sentimos e com isso caímos numa “armadilha” pois é um ciclo vicioso que só aumenta o tamanho da dor/problema.


O que queremos dizer com Aceitação então?

Aceitação significa que você se permite sentir o quer que que você esteja sentindo no momento. Ou seja, você não está “brigando” ou “resistindo” ao que de fato é ou não está tentando mudar o que já passou. Você não ficará perdido em seus pensamentos arrependido de algo que aconteceu e querendo que não tivesse sido daquela forma, ou você não irá querer mudar alguém para ser do jeito que você acha que esta pessoa tem que ser, ou você não ficará lamentando algo que não gosta em você ou de que poderia ter feito alguma coisa de outra forma ou de uma forma melhor.

Quando você está ocupado com esses pensamentos, a sua energia não está totalmente disponível para ser usada no momento presente, prejudicando a sua performance atual.

Uma vez que você aceita o que é ou o que já passou, você pode desenvolver suas estratégias de melhorias. O seu melhor amanhã pode ser muito melhor que o seu melhor hoje.

Mudar o seu padrão de pensamento de “o que poderia ter sido “para “o que quer que tenha acontecido, já passou e está OK”, te libera de pensamentos não construtivos e aumenta a sua energia para que você melhore a sua performance.


No livro. “Full Catastrophe Living” – de Jon Kabat-Zin, o autor nos explica que na prática de Mindfulness não devemos tentar alcançar nada com os exercícios, não criarmos nenhuma expectativa em relação a prática; apenas estarmos inteiros com aceitação no momento presente, ou seja ,nos permitir sentir e aceitar o que é, o que estamos pensando e sentindo no momento, sem julgamentos.. Esta prática convida as pessoas a explorar “non-striving” e auto aceitação como forma de ser; sem ficarmos atados a padrões de sucesso ou fracasso que nos condicionamos como “corretos”. Segundo o autor, a prática de meditação é desta forma porque o esforço em tentar chegar a algum lugar geralmente é o tipo errado de esforço para que se produza mudança ou crescimento já que vem de uma rejeição do momento presente.

Ao primeiro sinal de que você não está chegando a lugar nenhum e de que as coisas não estão saindo do jeito que você quer, as pessoas tendem a ficar desencorajadas, perder a esperança, culpar os outros e muitas vezes desistirem. Então nenhuma mudança real acontece. Ë um conceito paradoxo. A visão do ponto de vista meditativo é que apenas através da aceitação do momento presente, não importa quão penoso, assustador, indesejável este possa ser, é que mudanças reais podem acontecer.


Fazendo esta análise em relação ao meu processo de mudança do Brasil para a Holanda, eu vi o quanto eu era apegada ao meu emprego, aos meus amigos e família, a minha casa e ao meu estilo de vida. Ao me mudar para Holanda, no principio, eu não conseguia me desligar do meu passado, eu ficava pensando nas coisas que tinham deixado de existir em minha vida, não tinha empregada para ajudar em casa, eu nem sabia fazer uma comida decente; não tinha um trabalho bacana que me desafiava e me fazia sentir útil, não tinha mais meus amigos para conversar, etc... ou seja, ao ficar pensando no que eu deixei de ter, eu não deixava ir... E com isso não enxergava as novas oportunidades que estavam disponíveis para mim e não vivia a minha nova vida de forma plena ou completamente presente.

Ao me dar conta de que aquele padrão de pensamento não me ajudava, eu consegui ver quanta coisa bonita estava ao meu redor, quantas oportunidades novas a serem exploradas e vivenciadas estavam disponíveis se eu me abrisse para elas.


Em um processo de transição as pessoas podem reagir de forma diferente. Algumas pessoas podem amar a mudança e prosperar. Outros buscam apenas lidar e sobreviver e outros farão todo o possível para evitar mudanças.

Uma grande resistência à mudança vem da perspectiva que enxergamos o fato.


Como Wayne Dyer diz: "Quando você muda a maneira como você olha para as coisas, as coisas que você olha, mudam"


Entender que há um processo normal durante uma mudança pode alterar sua perspectiva e apoiá-lo para gerenciar seus padrões de pensamento ao longo desta jornada.

É normal que as pessoas resistam no início até que “a cura” seja possível; as pessoas precisam de algum tempo para liberar e se desprender do passado; tempo para reflexão até que as mesmas estejam abertas para avaliar novas possibilidades.

Alguns exemplos de padrões típicos de pensamento que as pessoas passam até que a aceitação total seja possível.

  • Estou me sentindo infeliz com o que aconteceu, não há nada que eu possa fazer para mudar as coisas.

  • Odeio e sinto raiva do que está acontecendo, odeio essa situação, odeio minha nova vida.

  • Eu vou encontrar uma maneira de fazer essa mudança funcionar para mim e para minha família

  • Que oportunidades há nessa mudança para mim?

E Você? Como está a sua aceitação em relação ao seu momento presente?

Como a sua falta de aceitação pode estar te “segurando” em andar para a frente?

Como você pode ter um pensamento mais inspirador para te ajudar a alcançar os seus objetivos?

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